
Beira do rio São francisco
Saudade, palavra doce, terna , que encerra em suas oito letras, um turbilhão de sentimentos...
Saudades da infância... de brincar de amarelinha...das bolas de gude... do futebol com bola de meia... saudades das estórias de príncipes e princesas... de fadas e duendes...Saudades de esperar o Papai Noel, com os olhinhos fechando de sono... e acordar com o presente aos pés da árvore ou ao lado da cama...Saudades da primeira professora... de brincar de " eu sou pobre, pobre, pobre de marre´descí...", na hora do recreio...
Saudades da adolescência... do primeiro baile ( sou do tempo do primeiro baile...rs) das primeiras descobertas... "do amor anotado em bilhetes"...da agenda cheia de recados e papel de balas... do primeiro beijo... do primeiro diário... onde derramávamos nossas agonias... Saudades do colégio, onde enlouquecer o professor era "café pequeno"... Do cineminha... dos beijos roubados e consentidos... das festinhas, com horário marcado para chegar em casa... Saudades de matar aula e ir para a pracinha... de passar as tardes na casa da melhor amiga, comendo pipoca e tomando suco de laranja ...
Saudades da juventude... Agora sim, a fase adulta... das festas... dos passeios... do primeiro acampamento... da primeira transa, cheia de culpas e medos...do primeiro porre ( e a já quebrada jura, de nunca mais beber...rs), da primeira serenata , da primeira viagem com o namorado... saudades de quando a vida nos sorria, e corríamos atrás dela, alucinados... Saudades dos tempos de ginásio... dos movimentos estudantis... das passeatas.. dos protestos... dos gritos de guerra... das músicas, sempre tão censuradas... de Caetano, Chico, Gil, Vandré, Elis e tantos outros...Saudade de quando acreditava-mos que o Brasil podia ser melhor... e lutar por um ideal, era ir até as últimas consequências...
Saudades ....
Saudade não acaba aqui... A cada dia é depositada mais um bocadinho em nossos corações...Quem sabe, daqui há alguns anos, eu não escreva sobre a saudade desse mundo dos blogs... Sobre os amigos blogueiros, que guardo do lado esquerdo do peito... Sobre esse mundo virtual, que se torna tão real, quando falamos de sentimentos...
Saudades do real, quando tudo se torna tão virtual...
"A saudade mata a gente" (A. Almeida/Braguinha)
Meu amor foi comigo morar
E nas redes nas noites de frio
Meu bem me abraçava pra me agasalhar
Mas agora, meu Deus, vou-me embora
Vou-me embora e não sei se voi voltar
A saudade nas noites de frio
Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente, morena
A saudade é dor pungente, morena
A saudade mata a gente










