28 de set. de 2009

Hugamélia entrevista Vinícius de Moraes - Itapuã - Salvador - Bahia (by Beth)

Hugamélia: Vinícius, o que você acha das ciclovias de Salvador?
Vinícius: Acho que são infinitas enquanto duram. E você, Huguinha?
Hugamélia: Eu espero viver ao lado delas por toda a minha vida. Mas me diga, Vinícius. Como é que é ser entrevistado por um ser vivo?
Vinícius: É como sentir o arrepio do vento que a noite traz.
Hugamélia: O que você vai fazer antes de voltar para lá?
Vinícius: Vou dormir nos braços morenos da lua de Itapuã...mas agora vou pegar a minha esteira de vime...pegue a sua bicicleta e vamos lá para a praça Caymmi...vamos beber água de côco. Topa?
Hugamélia: Claro que sim. Vamo nessa!!
Vinícius: Você sabia que eu morei bem aí nessa casa atrás de mim? A casa da direita de quem nos olha de frente.
Hugamélia: Claro que sim, Vinícius!!! Quem não sabe disso? Todo mundo daqui e de lá dos espaços serenos sem ontem nem amanhã.
Vinícius: Vamos logo. Não quero perder o dizquedizque macio que brota dos coqueirais.
Hugamélia: Ei, Vinícius! Você vai colocar um velho calção de banho?
Vinícius: Não. Não dá tempo. Voltei só para passar uma tarde em Itapuã com você!

26 de set. de 2009

Mulheres comuns ( By Ava)




As histórias de quatro mulheres comuns, retratadas no AfroditepraMaiores , http://afroditepramaiores.blogspot.com/2009/09/nascidas-em-decadas-diferentes-quatro.html, fizeram-me lembrar de algumas grandes mulheres comuns que escandalizaram o mundo, por pensarem e agirem diferente em sociedades castradoras, machistas e preconceituosas. Ainda hoje cobram da mulher comportamento padrão-certinho, conduta ilibada, mãe/modelo, esposa/Amélia, profissional/sucesso, mulher/santa, moça/donzela... Qualquer desvio do padrão e lá vem uma enxurrada de críticas e o famoso comentário maldoso, sibilado entre dentes, daqueles que se julgam guardiães da moral e dos bons costumes.

Entre tantas, inevitável lembrar-se de Leila Diniz. Fui ver o que existe sobre ela na internet e a pesquisa transformou-se em uma deliciosa leitura sobre essa mulher aqui , aqui e aqui. Leila, bem à frente de seu tempo - e seu tempo já foi há um bom tempo (finais da década de 60 e início dos anos 70) -, desafiou todas as regras, convenções e "leis", e botou a boca no trombone e no mundo, abalando a sociedade e a imprensa brasileiras da época. Morta em um acidente aéreo em 1972, com apenas 27 anos, ainda hoje é símbolo de liberdade e liberação femininas no Brasil.

Uma famosa e bombástica entrevista ao jornal Pasquim aqui , deixou de "cabelo em pé" os moralistas de plantão e os donos da tesoura da censura criaram uma lei de censura prévia, apelidada de Decreto Leila Diniz. Seguem algumas
frases que refletem o espírito de uma mulher livre:

“Eu trepo de manhã, de tarde e de noite.”

“Posso dar para todo mundo, mas não dou para qualquer um.”

"Nunca comi mulher nenhuma porque elas não tem pau. E pra mim pau é um negócio essencial."

"Todos os cafajestes que conheci na minha vida eram uns anjos de pessoas."

"Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo.”

“Não morreria por nada deste mundo, porque eu gosto realmente é de viver. Nem de amores eu morreria, porque eu gosto mesmo é de viver de amores.”

“Não sou contra o casamento. Mas, muito mais do que representar ou escrever, ele exige dom.”

"Eu tenho pena de homem não poder ficar grávido."



Impossiveel definir e resumir Leila Diniz, em um post apenas. Leila é o ícone de uma época e precursora da mulher liberada e feliz. Uma mulher que não teve medo de ser feliz!









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24 de set. de 2009

Sem título (by Celine)



E melhor do que uma tarde inteira de amor inventado. De amor bem vivido com todos os disperdicios exagerados. É uma noite inteira de vida. Amor, amores, paixoes. Toda beleza do alcool queimando na garganta, da voz partindo em sussurros, de pernas. abertas. Não somos almas gêmeas, nem acreditamos que poderíamos ser.

Me diz: "Somos almas livres celebrando juntas"

E livre, assim, sem roupa, sem culpa e cheia de vontades. Me dou e me devolvo. Desse jeito que me amam e que eu sei me amar. Voando em céus de corações, pousando onde o vento manda. Bebendo do copo mais vazio, esperando que outros encham, sempre.

22 de set. de 2009

Entre o sete e o oito (by Luna)

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Ela entrou apressada no prédio, o elevador estava fechando. Alguém, lá dentro, educadamente segurou a porta, quando escutou o barulho da chave. Quando ela colocou o pé no elevador, viu que era o vizinho do sétimo andar, lindo, gostoso, cheiroso, com a barba por fazer (ui, ui, ui) e cara de sério (que atrevimento...homem bonito deveria ser proibido de fazer cara de sério, isso é um atentado ao pudor!).


Ela agradeceu, ele ensaiou um sorriso mecânico, e logo refez a cara formal.


Quando foi apertar o botãozinho do oitavo, viu que já estava selecionado. Ah, que interessante : ele sabe em que andar eu moro! Isso, apesar de ser pouco, é melhor do que o absoluto nada.


A partir daí, sua mente deu voltas e mais voltas, cheia de indagações : será que é um teste? Ele quer ver minha reação, será que é isso? Ah, meu Deus, sou péssima com testes, travo toda quando sei que estou sendo analisada...o que será que esse homem quer?!


O cara ali, na dele, e ela aflita, pensando : talvez eu deva apertar o botão do oito mesmo assim, pra ele ver que sou independente, que não aceito imposições, que não preciso dele, que me garanto. Isso, vou apertar!


Não, melhor não...pode ser mais inteligente mostrar que sou uma moça delicada, que sei reconhecer gentilezas. Homem gosta de ser protetor e gentil.


Acho que ainda não é essa a postura ideal...que difícil! E se eu fingir que não vi que o oito está cor de laranja, e pedir que ele aperte o botão pra mim? É, pode até ser, mas e se ele interpretar como uma demonstração de carência e dependência? Se ele achar que estou buscando a figura paterna e blábláblá?


E se eu ousar e apertar o nove? Aperto, olho pra ele, e digo que tenho o costume de saltar lá e descer um andar pela escada, para evitar a vida sedentária. Não, essa opção é horrível. Vai fazê-lo pensar que sou uma chata, que conto as calorias de tudo que como, que vou implicar com a cerveja dele...


Estavam passando pelo quinto andar, e ela sentia como se uma oportunidade de ouro escapasse por entre os dedos. Numa última tentativa desesperada, pensou : e se eu fizer o elevador parar entre dois andares, agarrá-lo e devorá-lo, como se só tivesse mais 10 minutos de vida? Ele pode se apaixonar perdidamente ou gritar por socorro, e se fizer isso, eu terei que mudar desse prédio e ainda corro o risco de ser processada.


É...é o fim, mesmo. Lá se vai minha única melhor chance de escrever um conto erótico baseado em fatos reais.


O elevador, que não tinha parado em nenhum andar até então, abriu a porta no sétimo, e o cara desceu, enquanto dizia um “Boa noite” seco, sem nem olhar pra trás.


Ela pensou em voz alta, enquanto chegava ao oitavo : que babaca, idiota, infantil! Avaliar uma mulher por seu comportamento dentro de um elevador é uma coisa muito, muito besta, né não? Homem é tudo palhaço, não tem jeito.








* Gurias, colaboradoras do blog : RM me chamou e disse que apertando um pouco, caberia mais gente. Cheguei, então. ;)



NOTA DO ADMINISTRADOR
Pela qualidade do texto parece mentira, mas Luna Sanchez tem apenas 22 anos. É gaúcha de Porto Alegre, estudante de Publicidade e Propaganda (e já trabalha na área) e solteira! Mas não se animem demais os possíveis muitos pretendentes: ela me disse, em off, que tem um "gato" e é "escorpiana passional"...
Mais informações no PalavrasdeLuna ou n'asmuitasfasesdaluna, onde a guria mostra mais talento e um pouco mais de si mesma.
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19 de set. de 2009

Mais do balaio (by Udi)

...especialmente para aqueles d'além mar



Retribuindo as muitas pontes construídas por Monsieur Almost (the best of the world), vai aí uma ponte num ritmo bem brasileiro (recomendo especial atenção à fala inicial, antes da canção).



E, ainda, esclarecendo ao António Tapadinhas o significado de balaio (não fosse a sua pergunta, eu jamais teria descoberto os demais significados da palavra além de "cesto").
Do Houaiss:

balaio
Datação
1524-1585 cf. JFVascUlis

Acepções
substantivo masculino
1 cesto grande feito de palha, taquara, bambu, cipó etc., us. para transporte ou para guardar objetos; patuá
2 Regionalismo: Brasil.
refeição ligeira que se transporta; farnel, merenda, matula
3 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, jocoso.
o conjunto das nádegas ou dos quadris
4 Regionalismo: Minas Gerais. Uso: informal, pejorativo.
cabeleira muito basta e espalhada
5 Rubrica: dança, etnografia. Regionalismo: Rio Grande do Sul.
variedade de fandango ('qualquer das danças') em que o enfunar das saias das damas faz resultar a forma de um balaio


Etimologia
orig.contrv.; f.hist. sXVI balayo

Sinônimos
ver sinonímia de alimento e farnel

E vocês podem perguntar: "e a cerejeira?"
...e eu : perguntem a Monsieur Almost.

17 de set. de 2009

A costura de Lucíola (by Beth)

Sentindo nas palmas das mãos um formigueiro em regurgitante erupção, Lucíola foi impulsiva e áspera ao largar a vassoura no peitoril da janela da sala de estar. Alcançou com a vista embaçada o sofá empoeirado, mas se sentou no móvel que estava mais ao alcance das pernas trêmulas. Arriou as cadeiras no acento, recostou o dorso no espaldar da poltrona, puxou a penúltima nesga de ar e rogou aos céus que lhe inspirasse. Sentiu na boca o gosto azedo de uma golfada e, sem amargura nos gestos, retomou a costura abandonada há dias. De quando em vez, o sono lhe arrebatava a agulha da mão e começava a bordar nos pesadelos os retalhos do dia. Não sei dizer quanto tempo depois, mas sei que Lucíola combinou as idéias e decidiu que já estava mais do que na hora de abandonar a costura para dar uma olhadinha no movimento da rua. Precisava sacudir a preguiça das juntas esmoidas. Sem demora, deu as mãos aos braços da velha poltrona colocou o peso do tronco nos joelhos, largou as nádegas do acento em brasa e foi ficar ao lado da vassoura. Entre Lucíola e a vassoura não havia muita diferença. Esguias sacodem a poeira dando voltas por cima e por baixo. Magrelas se postam no peitoril da janela da sala de estar. Lucíola, numa fisgada, percebeu a praça regurgitando gente. Todo o campo de visão estava minado de refluxo humano. Para Lucíola, era como se a boca do mundo estivesse com disfagia.
Lucíola desviou o olhar para um pedacinho da grama, uma área de 20cm x 10cm, embaixo do jambeiro. Centenas de formigas carregavam para dentro de suas cavernas o rosa orgânico da flor do jambo. No pensamento fértil de Lucíola, as formigas penetram nas cavidades da terra para depositar materiais que, por sua vez, irão regurgitar na mesa da cadeia alimentar outras minúsculas criaturinhas. De repente, não mais que de repente, a vassoura dá uma cutucada em Lucíola e aponta, com o cabo, para uma menina de vestido vermelho que passava bem embaixo do peitoril e, curiosa até último fio de sisal, perguntou: O que você tem aí dentro desta caixa, menina? Torta de vento com nada dentro! - respondeu a garotinha. Lucíola, sem querer perder mais tempo, voltou para a sua costura. Dessa vez, furou o dedo e tingiu com sangue a pétala da rosa que bordava há dias.


NOTA DO ADMINISTRADOR
Maria Elisabeth, Beth, baiana legítima ("...requebra direitinho, de cima e embaixo, revira os olhinhos e diz eu sou filha de São Salvador") é bióloga por formação, escritora (ao que tudo indica) por vocação e aventureira por distração. Também já tinha sido objeto de post nesse blog (vejam aqui) e mantém o BarcaVelanoMar , quando não está viajando pelos 4 cantos do planeta.

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15 de set. de 2009

(by Celine)



Entre os copos e as pernas. Nosso encontro do passado. Seu olhar de meio desejo. Meu medo de te ter pra sempre. Nossa vontade entre filas e bandejas. Sua boca mostra o meu caminho. Onde sento, você não abre o cardápio. Agora.


Houveram noites em que você quis. Dias em que minha boca completava seus olhos. Juntas.
Não me culpo por derrubar nossa bandeja. Não te culpo por me empurrar além do que meu corpo ia.

Nosso combinado ultrapassou a validade. Não houve palavra que honrasse um trato feito com os desejos. Nao te dei minha alma porque nao te servia. Mas fico agradecida pelo meu presente.
Te deixo reservado uma parte de mim. A que você menos desejou, mas a unica que você precisa. Que eu nao uso mais.

CONVERSA DE SENHORAS (by RM)


CONVERSA DE SENHORAS

Não preciso nem casar
Tiro dele tudo o que preciso

Não saio mais daqui

Duvido muito

Esse assunto de mulher já terminou

O gato comeu e regalou-se

Ele dança que nem um realejo

Escritor não existe mais

Mas também não precisa virar deus

Tem alguém na casa

Você acha que ele agüenta?

Sr. ternura está batendo

Eu não estava nem aí

Conchavando: eu faço a tréplica

Armadilha: louca pra saber

Ela é esquisita

Também você mente demais

Ele está me patrulhando

Para quem você vendeu seu tempo?

Não sei dizer: fiquei com o gauche

Não tem a menor lógica

Mas e o trampo?

Ele está bonzinho

Acho que é mentira

Não começa

Ana C.


Ana Cristina César (1952- 1983), ou Ana C. integrou o time de "poetas malditos" formado no início da década de 1970. Dona de uma elaborada escrita, influenciada por escritoras americanas, suicidou-se aos 30 anos (aqui para uma biografia resumida e aqui para uma pequena seleção de textos).
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13 de set. de 2009

EXPLICAÇÃO (by RM)

Caros amigos,

infelizmente foram perdidos os comentários da última postagem da Ava. Peço desculpas aos simpáticos leitores que lá se pronunciaram. Desejo reiterar:

a) o respeito e a estima que tenho pelas co-autoras desse bloguinho, todas minhas amigas, em especial à dona Ava;

b) a disposição ao diálogo, que decorre da adoção de um formato sem restrições nem moderação de comentários (em que pese tenha-se como custo dessa escolha sermos obrigados a conviver com algumas pessoas sem educação, sem escrúpulos e sem graça).

Quanto ao comportamento neurótico e desequilibrado de determinado leitor(a), que parece sentir-se bem ofendendo e destratando autores e leitores desse espacinho, sugiro que consulte médico especializado ou:


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Fim do encanto! ( By Ava)





Desencanto do encanto



que deixou de ser tanto...!






Desencanto

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque



Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos

É pena porque foi tão lindo amar
Sentir você sonhar tão junto a mim,
Ouvir tanta promessa,
Fazer tanta esperança,
Pra hoje ver lembrança, tudo enfim

Não passou
De um triste desencanto, amor,
E desde então eu canto a dor
Que eu não soube chorar

10 de set. de 2009

Vem que tem! (by Udi)



















O que tem no balaio?

...ouça a canção e descubra

7 de set. de 2009

SERÁ QUE ELAS SÃO MELHORES QUE ELES? (by RM)

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Luisa Ortega Díaz, procuradora-geral da República Venezuelana, defendendo a censura aos meios de comunicação.

A propósito do novo filme de Oliver Stone, "South of the Border”, francamente simpático à ditadura de Chavéz e à vários protótipos de ditadorzinhos cucarachas, pergunto: será que o filme dá "información veraz"?
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6 de set. de 2009

A AMANTE (by RM)
















O Encontro (Ismael Nery)


Poema da amante


Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos,
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita dos tempos
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
E em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas, desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.


Adalgisa Nery (1905-1980), escritora, jornalista e parlamentar brasileira, nasceu no Rio de Janeiro em família humilde, ficando órfã ainda criança e cursando apenas o ciclo primário.
Casou-se aos 16 com o pintor Ismael Nery, um dos precursores do modernismo nas artes plásticas no Brasil; dele enviuvando aos 29, aí iniciando sua carreira literária.
Conviveu com grande parte da intelectualidade brasileira e mexicana e, ao fim de um segundo casamento, dedicou-se ao jornalismo e à vida parlamentar, sendo eleita deputada pelo PSB (Parido Socialista Brasileiro) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro), tendo seus direitos políticos cassados em 1969, pelo AI-5.
Morreu na miséria, em um asilo para idosos (aqui e aqui para uma biografia e aqui para uma seleção de seus poemas).


3 de set. de 2009

“POUPEM-ME O DESPERDÍCIO DE EXPLICAR O ATO DE BRINCAR” – HILDA HILST (by Cora)

Quem és? Perguntei ao desejo.
Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.


Toma-me ao menos

Na tua vigília.

Nos entressonhos.

Que eu faça parte

Das dores empoçadas

De um estendido de outono

Do estar ali e largar-se

Da tua vida.

Toma-me

Porque me agrada

Meu ser cativo do teu sono.

Corporifica

Boca e malícia.

Tatos.

Me importa mais

O que a ausência traz

E a boca não explica.

Toma-me anônima

Se quiseres. Eu outra

Ou fictícia. Até rapaz.

É sempre a mim que tomas.

Tanto faz.


In: Cantares – Poema XXXVIII






NOTA DO ADMINISTRADOR
Ela não tem blog, não tem imagem disponível... É de se supor que não se saiba sua idade, se é casada, se tem filhos... Mas ela tem opinião e a expressa com freqüência nos blogs da chamada "confraria". E o faz de forma que a muitos encantou com sua inteligência, cultura e alto astral.
Também a convidei para tornar-se uma das autoras desse blog mas ela recusou: prefere colaborar eventualmente... Thanks, Cora, costumeiramente.
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