Hugamélia: Vinícius, o que você acha das ciclovias de Salvador? Hugamélia: Claro que sim. Vamo nessa!!
Hugamélia: Vinícius, o que você acha das ciclovias de Salvador? 

Ela entrou apressada no prédio, o elevador estava fechando. Alguém, lá dentro, educadamente segurou a porta, quando escutou o barulho da chave. Quando ela colocou o pé no elevador, viu que era o vizinho do sétimo andar, lindo, gostoso, cheiroso, com a barba por fazer (ui, ui, ui) e cara de sério (que atrevimento...homem bonito deveria ser proibido de fazer cara de sério, isso é um atentado ao pudor!).
Ela agradeceu, ele ensaiou um sorriso mecânico, e logo refez a cara formal.
Quando foi apertar o botãozinho do oitavo, viu que já estava selecionado. Ah, que interessante : ele sabe em que andar eu moro! Isso, apesar de ser pouco, é melhor do que o absoluto nada.
A partir daí, sua mente deu voltas e mais voltas, cheia de indagações : será que é um teste? Ele quer ver minha reação, será que é isso? Ah, meu Deus, sou péssima com testes, travo toda quando sei que estou sendo analisada...o que será que esse homem quer?!
O cara ali, na dele, e ela aflita, pensando : talvez eu deva apertar o botão do oito mesmo assim, pra ele ver que sou independente, que não aceito imposições, que não preciso dele, que me garanto. Isso, vou apertar!
Não, melhor não...pode ser mais inteligente mostrar que sou uma moça delicada, que sei reconhecer gentilezas. Homem gosta de ser protetor e gentil.
Acho que ainda não é essa a postura ideal...que difícil! E se eu fingir que não vi que o oito está cor de laranja, e pedir que ele aperte o botão pra mim? É, pode até ser, mas e se ele interpretar como uma demonstração de carência e dependência? Se ele achar que estou buscando a figura paterna e blábláblá?
E se eu ousar e apertar o nove? Aperto, olho pra ele, e digo que tenho o costume de saltar lá e descer um andar pela escada, para evitar a vida sedentária. Não, essa opção é horrível. Vai fazê-lo pensar que sou uma chata, que conto as calorias de tudo que como, que vou implicar com a cerveja dele...
Estavam passando pelo quinto andar, e ela sentia como se uma oportunidade de ouro escapasse por entre os dedos. Numa última tentativa desesperada, pensou : e se eu fizer o elevador parar entre dois andares, agarrá-lo e devorá-lo, como se só tivesse mais 10 minutos de vida? Ele pode se apaixonar perdidamente ou gritar por socorro, e se fizer isso, eu terei que mudar desse prédio e ainda corro o risco de ser processada.
É...é o fim, mesmo. Lá se vai minha única melhor chance de escrever um conto erótico baseado em fatos reais.
O elevador, que não tinha parado em nenhum andar até então, abriu a porta no sétimo, e o cara desceu, enquanto dizia um “Boa noite” seco, sem nem olhar pra trás.
Ela pensou em voz alta, enquanto chegava ao oitavo : que babaca, idiota, infantil! Avaliar uma mulher por seu comportamento dentro de um elevador é uma coisa muito, muito besta, né não? Homem é tudo palhaço, não tem jeito.

balaio
Datação
1524-1585 cf. JFVascUlis
Acepções
■ substantivo masculino
1 cesto grande feito de palha, taquara, bambu, cipó etc., us. para transporte ou para guardar objetos; patuá
2 Regionalismo: Brasil.
refeição ligeira que se transporta; farnel, merenda, matula
3 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, jocoso.
o conjunto das nádegas ou dos quadris
4 Regionalismo: Minas Gerais. Uso: informal, pejorativo.
cabeleira muito basta e espalhada
5 Rubrica: dança, etnografia. Regionalismo: Rio Grande do Sul.
variedade de fandango ('qualquer das danças') em que o enfunar das saias das damas faz resultar a forma de um balaio
Etimologia
orig.contrv.; f.hist. sXVI balayo
Sinônimos
ver sinonímia de alimento e farnel
CONVERSA DE SENHORAS



brasileira, nasceu no Rio de Janeiro em família humilde, ficando órfã ainda criança e cursando apenas o ciclo primário.Toma-me ao menos
Na tua vigília.
Nos entressonhos.
Que eu faça parte
Das dores empoçadas
De um estendido de outono
Do estar ali e largar-se
Da tua vida.
Toma-me
Porque me agrada
Meu ser cativo do teu sono.
Corporifica
Boca e malícia.
Tatos.
Me importa mais
O que a ausência traz
E a boca não explica.
Toma-me anônima
Se quiseres. Eu outra
Ou fictícia. Até rapaz.
É sempre a mim que tomas.
Tanto faz.
In: Cantares – Poema XXXVIII