28 de jan de 2010

O inferno são os outros (by AP)

A madame chegou à festa de nariz em pé, sentou-se em uma mesa meio afastada para evitar o contato muito próximo com a gentalha que não lhe chegava aos pés. Passou a comemoração toda com cara de paisagem. Ficou calada porque não tinha com quem conversar. Ninguém ali iria acompanhar os assuntos que lhe agradavam. Na verdade, só estava ali para cumprir o social. Aniversário de um parente distante, mas, ainda assim, parente. E família é assim, a gente não escolhe, tem que aturar. Não gostava da música alta, do falatório sem fim, das risadas desmedidas, das roupas informais. Vestiu-se de seda, para marcar a diferença entre ela e a ralé. Só levantou da cadeira para ir à mesa de doces. Encontrou-a quase intocada, mesmo assim, encheu as mãos com brigadeiros, cajuzinhos, beijinhos. Parece até que deixou escorregar alguns para dentro da bolsa. Voltou para sua mesa de nariz em pé e sem constrangimento. Alguém perguntou: "já está no doce". "É, fui lá pegar, porque esse pessoal é muito sem educação, não ia sobrar nada". Ela, claro, com modos da corte. O inferno são os outros.


NOTA DO ADMINISTRADOR
Ana Paula Pedrosa, nossa AP, é mineira de Belo Horizonte, jornalista, mãe da Beatriz, prima da Malu(quinha) e apaixonada torcedora do Atlético. Já havia aparecido AQUI tempos atrás e pode ser acompanhada no blog Escritos ao Vento ou no twitter.
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10 comentários:

Meus Reflexos Contos e Afins disse...

Na verdade aborda aqui
gente sem noção.
Ando cheia deles.
Adoro.
Alias adoro esse layout,
ousadésimo!
Bjins
entre sonhos e delírios

Meus Reflexos Contos e Afins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Meus Reflexos Contos e Afins disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
rm disse...

Ei AP,
achei que você tivesse desistido... rss

Querida, gostei muito do post de estréia, que me fez lembrar de um caso verídico:

Estava eu à bordo de um carro comum, em plena Praça da Liberdade (em Belo Horizonte, Minas Gerais), à espera de que abrisse o semáforo; quando emparelhou-se a mim uma Mercedes esporte conversível. Dentro dele, ao volante, deixava-se perceber uma bonita loira, estilo femme fatale. Bem, para meu espanto a figura abaixou o vidro do carrão, mas não para me dirigir a palavra (rss) e sim para jogar lixo ao chão da chamada via pública. E o fechou novamente...

Moral da história: nem toda loiraça rica é desejável... Será que é a mesma pessoa? rss

Querida, peço licença para apresentá-la ao público desse bloguinho...

gabrielle disse...

AP,
gente assim tem em todo lado mesmo... é caso pra dizer: You can run, but you can't hide

beijinho

Udi disse...

Boas vindas (ou bom retorno) à Ana Paula. Post estiloso, poderia até ter um clássico como tema musical:

http://www.youtube.com/watch?v=xHi7ZHBA-so

Mr. Almost disse...

Olá, AP.

Te conheço, você é legal.

Justos céus!

Estão a ver, gente, por que em todas as festinhas tem de haver um Mr. Almost, um cara sem vergonha?

Não vêem?

Ora essa! Para dar na boquinha às madames empinocadas os brigadeiros, os beijinhos e... Ah, you know, you know. E sim, elas adoram na boquinha. Com educação, é claro. Há que manter a dignidade seja qual for a circunstância.

Eraldo Paulino disse...

Me lembrou o meu titã favorito, o Branco Mello...

"O problema não é meu
o paraíso é para todos
o problema não sou eu
o inferno são os outros"

Bjs!

Helô Müller disse...

Gostei da sua forma de escrita, Ana Paula! Com estilo, simplicidade e usando do humor, na dose certa, pra mandar o seu recado!
São tipicamente as pessoas "sem noção"... não é mesmo?? rs E como a gente esbarra nelas, por aí!! Aff...
Muito bom tê-la aqui como coleguinha!! rs
Beijos com gosto de cajuzinho!!
Menina Helô!

Luna Sanchez disse...

Os outros são de uma insensibilidade lamentável, de fato...rs

Beijo,

ℓυηα