Lucíola desviou o olhar para um pedacinho da grama, uma área de 20cm x 10cm, embaixo do jambeiro. Centenas de formigas carregavam para dentro de suas cavernas o rosa orgânico da flor do jambo. No pensamento fértil de Lucíola, as formigas penetram nas cavidades da terra para depositar materiais que, por sua vez, irão regurgitar na mesa da cadeia alimentar outras minúsculas criaturinhas. De repente, não mais que de repente, a vassoura dá uma cutucada em Lucíola e aponta, com o cabo, para uma menina de vestido vermelho que passava bem embaixo do peitoril e, curiosa até último fio de sisal, perguntou: O que você tem aí dentro desta caixa, menina? Torta de vento com nada dentro! - respondeu a garotinha. Lucíola, sem querer perder mais tempo, voltou para a sua costura. Dessa vez, furou o dedo e tingiu com sangue a pétala da rosa que bordava há dias.
NOTA DO ADMINISTRADOR
Maria Elisabeth, Beth, baiana legítima ("...requebra direitinho, de cima e embaixo, revira os olhinhos e diz eu sou filha de São Salvador") é bióloga por formação, escritora (ao que tudo indica) por vocação e aventureira por distração. Também já tinha sido objeto de post nesse blog (vejam aqui) e mantém o BarcaVelanoMar , quando não está viajando pelos 4 cantos do planeta.
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